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25 de abr de 2014

Como lidar com os "chiliques" da criança

Por Carla Poppa

Como lidar com os “chiliques” da criança?


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É muito comum que os pais se sintam inseguros sobre como devem agir diante dos gritos e choros mais intensos das crianças, os chamados “chiliques”. Alguns pais acreditam que devem ignorar esses comportamentos, enquanto outros receiam deixar a criança sozinha em um momento no qual ela parece ter perdido o controle das suas emoções. Essa dúvida sobre como agir nessas situações é compreensível, já que o comportamento da criança pode ser semelhante em situações que envolvem sentimentos e sensações diferentes. Por isso, na maioria das vezes, os pais só conseguem se sentir seguros em relação à atitude que estão adotando na medida em que puderem identificar e se sintonizarem com o sentimento que desencadeou esse comportamento na criança.

É importante, então, tentar discriminar qual o sentimento que está motivando o “chilique”. É possível que a criança esteja frustrada e o chilique, seja na verdade uma birra. É possível também que a criança esteja com raiva ou ainda cansada. Todas essas sensações e sentimentos podem ser expressos com comportamentos que apresentam algumas diferenças sutis, mas que, em geral, são muito parecidos (mau humor, choro, gritos…) porque a criança pequena ainda está aprendendo a verbalizar o que sente. No entanto, para que esse aprendizado possa acontecer, a criança precisa da ajuda dos cuidados que os pais lhe oferecem. E eles precisam ficar atentos, pois cada sensação ou sentimento que a criança experimenta “pede” um cuidado diferente.


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O chilique pode ser birra ou a expressão da frustração da criança.

Em um contexto no qual a criança ouve um “não” e é impedida de fazer o que deseja, é possível que ela se sinta frustrada e o chilique seja uma expressão da sua frustração. Se os pais julgam que não é adequado comprar o brinquedo que a criança está pedindo e ela se joga no chão e começa a gritar no meio da loja, o cuidado que contribui para o seu crescimento é o limite. A criança só pode desenvolver a capacidade de tolerar a própria frustração a partir da capacidade dos seus pais de suportar a insatisfação que a criança experimenta nessas situações, o que eles demonstram quando conseguem impor e sustentar o limite. Nessas horas, vale tirar a criança de cena. Nesse exemplo, sair da loja de brinquedo para que tanto a criança perceba que não vai conseguir o que deseja agindo dessa forma, como também para que os pais possam se sentir mais tranquilos sem a pressão dos olhares das outras pessoas pode ser uma boa ideia. Para que essas cenas não se repitam com tanta frequência, quando a criança estiver calma, os pais precisam conversar e explicar o sentido do “não”. A capacidade que a criança tem de entender o motivo dos limites pode ajudá-la a lidar melhor e a suportar a frustração em uma situação futura.


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O chilique pode ser um acesso de raiva.

O chilique também pode ser a expressão da raiva que a criança sentiu em alguma situação. É possível que a criança esteja brincando com os amigos e quando encontra com os pais começa a reclamar, a dar um “chilique”, negando-se a fazer o que os pais pedem, por exemplo, o que costuma desencadear uma briga. Essas situações podem revelar que a criança estava sentindo raiva de algo que aconteceu em um momento anterior, quando estava com os amigos. É comum os pais entrarem em sintonia com o que a criança está sentindo sem perceber e sem conseguir pensar sobre o que pode ter provocado essa irritação, já que essas atitudes, geralmente, são logo rotuladas como “malcriações”.

Quando isso acontece, os pais ficam impedidos de oferecer o cuidado que pode ajudar a criança nessas situações. Ou seja, não conseguem ajudar o filho a contar o que aconteceu, a “desabafar” para que ele possa aprender a falar sobre o(s) seu(s) sentimento(s), assumindo o controle das suas ações, em vez de de agir dominado pelo que sente.


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O chilique pode ser uma demonstração do cansaço da criança.

Os chiliques também podem ser demonstrações do cansaço da criança. Essas situações podem ficar mais frequentes quando os finais de semana são tomados por atividades, privando a criança da oportunidade de descansar. Ou ainda, quando os passeios com a criança costumam se estender para atender aos diversos compromissos do dia a dia. Quando a criança passa do limite do seu corpo e fez coisas demais, é comum que ela fique mais agitada e precise da ajuda dos seus pais para se acalmar e conseguir descansar. No entanto, às vezes, durante a agitação, a criança acaba desobedecendo e fazendo coisas que não deve. Se os pais reagirem a essas atitudes de maneira agressiva, os choros e os gritos da criança podem tomar conta da situação e privar a criança do cuidado que ela precisa para reestabelecer o contato com o seu corpo e a sua sensação de cansaço.

Assim, se a criança começar a chorar, gritar, espernear, o primeiro passo (o mais importante) é fazer essa diferenciação e tentar identificar qual sensação ou sentimento está motivando o chilique. É dessa forma que os pais podem oferecer com maior segurança o cuidado que contribui para o crescimento dela.

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